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Comunidade da Zona Oeste de SP quer transformar ‘lixão’ em parque

14 SET 2018
14 de Setembro de 2018
Quando criança, Ester via galinhas e vacas num local conhecido como “Fazendinha” na comunidade onde mora, no Jardim Colombo, do Complexo Paraisópolis, na Zona Oeste de São Paulo. Anos depois, o espaço se tornou um local de descarte diário de lixo, e desde então, a fauna local foi substituída por ratos e escorpiões. 

Sem nenhuma praça ou espaço de convivência na comunidade, a arquiteta Ester Carro, de 25 anos, e outros moradores, se uniram para transformar o local. Assim, nasceu o projeto Fazendinhando, que quer transformar o espaço em um parque, com hortas, brinquedos para as crianças, mobiliário urbano feito com pallets e até um mirante. 

A iniciativa tem um padrinho: o Sitiê, no Vidigal, Zona Sul do Rio de Janeiro. No alto da comunidade, o local também era um verdadeiro “lixão”, mas foi transformado em um parque ecológico premiado internacionalmente. 

A ponte com o projeto carioca foi feita pelo ArqFuturo - plataforma de discussão das cidades - após uma visita ao Jardim Colombo. O instituto, que desenvolve projetos de arquitetura e urbanismo, também havia apoiado o Sitiê, e apresentou seu idealizador, Mauro Quintanilha, à União de Moradores da comunidade paulista. 

“A nossa ideia aqui [no Jardim Colombo] é fazer o que fizemos no Vidigal, utilizando as muralhas de resiliência com os pneus, que servem como muralha [já que o local é inclinado], como espaço de convivência, e como como jardineira também”, disse Mauro. 

O primeiro passo foi começar a limpar a área. Foram retirados 45 caminhões de lixo, que levaram um colchão, sofá, e uma cama do terreno. Nessa etapa do processo, a retirada dos resíduos orgânicos fez até com que os ratos fossem parar nas casas de moradores do entorno. Agora, restaram entulhos, pedaços de tijolos e telhas. 

Ester fez um desenho inicial do projeto, apresentou para a comunidade, e, com o apoio dos moradores, começaram a acontecer mutirões de intervenção no local. No último, feito dia 22 de julho, foram realizadas oficinas de reciclagem, horta coletiva, grafite, e desenhos, quando as crianças desenharam o que queriam para o espaço. 

“Essa intervenção que aconteceu representa esperança e resistência. Não tem uma praça, não tem um parque, então esse espaço aqui significa esperança, para mostrar para a comunidade que estamos lutando, que queremos ver a diferença, ver as crianças cuidando e se apropriando desse espaço”, disse a arquiteta. 

Outro morador engajado no projeto é o estudante Erik Luan Costa, de 20 anos, que cursa Saúde Pública na USP. “Muita coisa que a gente viu [nas aulas] de saúde ambiental e políticas de saúde, eu vi concretizado aqui no projeto Fazendinha”, disse Erik. 

“Eu sempre falo que a favela é uma fábrica de talentos, e o Jardim Colombo em si é a maior experiência que eu tive que as favelas têm potenciais que não são explorados”, analisa o estudante.  


Projeto de urbanização

Além de não ter praças ou espaços de convivência, desde 2012 os moradores do Jardim Colombo escutam da prefeitura que a favela irá receber um projeto de urbanização, que prevê a construção de unidades habitacionais, a canalização do Córrego do Colombo e um parque linear. 

Procurada, a gestão atual da Prefeitura de São Paulo informou que, neste semestre, a Secretaria Municipal de Habitação iniciou a revisão e atualização do projeto.

A administração municipal disse ainda que o Governo Federal cancelou, no início de 2017, grandes contratos do Programa de Aceleração do Crescimento) que previam ações na comunidade, e, assim, o município remanejou recursos do Fundo Municipal de Saneamento e Infraestrutura (FMSAI) para atualizar os projetos de urbanização do local. 

G1
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